Experimente pela primeira vez ver o que você olha todo dia. Parece fácil? Mas não é. De tanto olhar, você não vê. Uma criança vê o que um adulto não vê, pois tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de tão visto, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho, marido que nunca viu a própria mulher. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.
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