
O que mais me causa espanto é a descoberta de mim mesma, aos poucos. Enxergo-me com outros olhos. Menos severa, mais condescendente talvez. Duvidei tantas vezes de mim mesma, da minha força e da minha capacidade. Do quanto fui, e ainda hoje reconheço com surpresa, do quanto ainda sou. Nada me importa mais que ser e fazer diferença na vida daqueles a quem eu amo. Nada. Nem trabalho, nem dinheiro, nada. Houve tempos em que eu queria tanto, sonhava tanto. Coisas com as quais todo mundo já sonhou um dia. Uma casa, um lar, um canto pra chamar de meu. Conforto, estabilidade financeira, uma carreira, um trabalho decente que me motivasse e estimulasse a crescer sempre mais. Um amor verdadeiro, e inteiro. Amar plenamente. Sem jogos, sem dramas. Amar simplesmente. O sexo, a alma, o pensamento. Hoje, eu sei, quero tanto e quero tão pouco. Nem um pedaço de chão quero mais. Quero sim, um pedaço de vida. Fértil, produtiva. Tão pouco me resta e tão pouco de fato eu tenho. Mas é tanto e tão maior o que sinto. Não tenho medo da vida. Não procuro uma saída. Eu quero mesmo é viver assim.
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